segunda-feira, 5 de março de 2012

Nuvem e Tempestade

Nuvens negras volta e meia rondam minha cabeça. Em geral elas anunciam uma tempestade que se aproxima. Tempestade rápida, mas que pode provocar alguns desastres e tragédias, como ocorre geralmente.
A de ontem eu não chamaria dessa forma. Era uma nuvem solitária, persistente, carente, teimosa! E apesar de qualidades instigantes não revelava a tempestade que eu esperava, mas uma ventania, só para sacudir os parcos conceitos de antes.
Em geral não gosto de tempestades. Uma tempestade deixa tudo muito mais nervoso, tenso, fora do lugar, cada instante é agora e nada. E tudo. Tudo o que poder vir a ser, tudo o que deixou de ser. Hoje eu não queria nova tempestade, mas aquela nuvem parecia me perseguir. Ela rondava, rondava, deixava cair uma gotas de chuva e, não satisfeita por não ter atenção, enviava gotas cada vez mais fortes, era uma necessidade absoluta de dizer: "Ei, estou aqui! Olhe para cima!".
Foto/Edição: Elaine Pinto
Olhei. Olhei e continuei a caminhar. A outra parte do céu estava em azul claro, e o vento bagunçava os cabelos, a cabeça e as ideias. E quando as ideias cansaram de procurar o caminho de volta, onde estavam, o melhor a fazer era observar e esperar que a tempestade chegasse. 
Não chegou, mas vai chegar. 
Ela vai chegar de repente, como uma nuvem cinza, sem se anunciar, e, também sem qualquer propaganda, vai fazer a chuva cair para que cada ideia se encontre de novo, ou num lugar diferente. 


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