sexta-feira, 11 de maio de 2012

Quero ser um grão


Quero ser grão de areia. Quero ser uma pedra que deita na praia. Quero sentir o vento. 
Quero ir... Abrir as asas, sonhar mais alto, decidir. Desistir, às vezes. Talvez seja mesmo hora. Hora de pensar, de plantar e de colher como diz o provérbio. Hora de ficar e deixar passar a tempestade, que me carrega para lá e para cá. 

Foto: Google

E eu nem sei mais como vim parar aqui...

Quero ser grão de areia, misturado no meio do povo, solto, livre, sem marca. Quero ser um grão de areia e ficar perto da concha, ser levada pela água e voltar ao abraço do sol. Quero ser grão de areia, mudo, pequeno, inteiro. 
Quero ser grão de areia e deixar meus irmãos espalhados por aí, seguir com o vento, não voltar naquele tempo atrás. Quero ser grão de areia, leve, sair, confundir, cegar, voltar à primeira praia, à primeira concha, voltar ao castelo.
Quero ser grão de areia porque o chão é feito para mim, porque ali não estou sozinho, porque sou eu e muitos.       Quero ser grão de areia para fazer a trilha, ter o horizonte, chorar sem ser visto.

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