Sabe aquelas coisas que você descobre por acaso?
Aquelas coisas que se sente e não se diz a ninguém, não se
pode dizê-las.
Não se pode explicar como surgem, o que são.
Nem eu mesma sei o que elas significam exatamente.
Nem eu mesma sei se elas se encaixam em alguma forma de
pensamento anterior, semelhante; alguma sensação já conhecida.
Sabe aquela angústia que surge de repente?
Se não, não sei se mereces “parabéns!” ou “que pena!”.
Sabe aquela confusão de sensações que te faz querer chorar e
rir ao mesmo tempo?
Aquela sensação de que tudo basta, de que a vida basta e se
é feliz por isso? Sem pensar no quanto o seu trabalho é frustrante, o quanto
você se sente incapaz diante dos outros, sem pensar que você, às vezes, é
invisível.
Nada, nenhum desses pensamentos ocorre, só que você existe,
de algum modo e sabe-se lá porquê...
E de algum modo isso é bom.
Sabe aquela sensação de “fiz uma coisa boa hoje”? Sabe a sensação contrária?
Sabe aquela voz que fala baixinho dentro da sua cabeça, dizendo que direção você deve seguir, que escolhas fazer, para ter cuidado e atenção?
Ela não me abandona.
Está sempre por perto.
Eu é que já me acostumei tanto com a presença dela que nem
sempre dou atenção.
Sabe aquele dia em que dá vontade de abandonar tudo?
O tudo que você acha muito e que, no final das contas, nem sabe o quanto vale; pode não valer nada, para ninguém.
Sabe a solidão?
...
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| Desenho: Elaine Pinto |
...

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